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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os órfãos do Cajueiro

Foto:  Josimar Santana

Dezembro chegou e trouxe consigo as reminiscências inerentes a essa época do ano. Este dezembro de 2012 traz uma temática remanescente de outubro, a orfandade dos filhos do cajueiro.
Durante os meses de outubro, novembro e dezembro os moradores da Rua do Cajueiro vem percorrendo uma via-crúcis em prol da manutenção deste nome.  
A mobilização é encabeçada pelo radialista Josimar Santana e a Agente de Saúde Karina Bonfim, que representam “Os filhos do Cajueiro”, os que nasceram e vivenciaram todas as peripécias da infância, adolescência e juventude embalados pela poesia bucólica que o nome da rua traduz.
Na verdade os líderes do movimento emprestam as suas vozes aos moradores de agora e de outrora e aos filhos do Cajueiro espalhados mundo a fora. Rebuscando a história da Rua do Cajueiro constata-se o abraço da história com a poética, expressos em relatos emocionantes como os que se seguem:

Quando cheguei a esta rua, em 1958, existia apenas duas casas, o dono dos terrenos era seu José Paulo Batista, de quem comprei o terreno e construí a minha casa, aqui edifiquei o meu lar, criei os meus filhos. No documento (escritura) de compra do imóvel constava e consta “Rua do Cajueiro”.   
O título que nomeava a rua tinha uma razão de ser, pois, foi uma homenagem a um grande e belo cajueiro que existia e servia de abrigo aos futuros moradores que por lá se instalavam durante as construções de suas residências. E depois de edificarem suas moradias costumavam sentar-se à sombra da frondosa árvore ao entardecer para conversar com os vizinhos. (PLÌNIO ANTÕNIO DA NASCIMENTO, 2012)

A senhora Maria Joana de Moura Santana também evoca memórias que datam de 1975 para justificar a permanência do nome Rua do Cajueiro:

Quando cheguei aqui em 1975, recebi os documentos da minha casa situada à rua do Cajueiro. Nessa época ainda existia o pé de cajueiro e eu mesma preparei as refeições dos trabalhadores que fizeram minha casa à sombra da bela árvore. Também armávamos redes para descansar ao meio dia. Ele foi nosso abrigo, até que minha casa ficasse pronta. Nos finais de semana, as famílias se reuniam à sombra dele e fazíamos piqueniques e até festas de aniversários. Aliás, toda festa que tinha na rua tinha no cajueiro um acolhimento especial.(MARIA JOANA M. SANTANA)

Mariquinha reside na rua desde 1978 e, protesta dizendo que é uma falta de respeito para com eles que começaram a história e a povoação da rua. E ressalta que nos registro de recolhimento de IPTU consta “Rua do Cajueiro”.
O relatos emocionados dos moradores indubitavelmente remete a reflexão feita pelo Pe. Fábio de Melo na obra intitulada “Quem me roubou de mim?”

ALGUÉM
Alguém me levou de mim
Alguém que eu não sei dizer
Alguém me levou daqui.
Alguém, esse nome estranho.
Alguém que eu não vi chegar
Alguém que eu não vi partir
Alguém, que se alguém encontrar,
Recomende que me devolva a mim.  (MELO, 2008, p. 10)

Os antigos moradores afirmam que este nome existe há mais de meio século e foi modificado por força de projeto de lei do ano de 1987, de autoria do então vereador Filandro Portela Neto, o popular Ducha. Tal projeto alterou o nome do logradouro  para Antônio Bonfim, que segundo os moradores trata-se de alguém que morou na referida rua por três anos que não tinha registro de nenhum imóvel e nada fez em prol de seus moradores.  
Os habitantes da rua não foram consultados, foram surpreendidos por vontade de um político, cujos interesses eleitoreiros não foram justificados. Foram traídos na sua ingenuidade, foram subtraídos na sua subjetividade. Tiveram a história e a subjetividade sequestradas. “É sequestro da subjetividade cada vez que o sujeito é desconsiderado como organismo vivo, colocado na condição de mecanismo, objeto manuseável.” (MELO, 2008, p, 10)
 Apesar da vigência de tal projeto, o povo ignorou a transição de nomes e continuou a utilizar a designação antiga, portanto, permaneceram todos à sombra do Cajueiro. Entretanto, a partir da implantação do novo sistema de endereçamento postal alguns transtornos foram surgindo em relação à incompatibilidade de endereços, nas inscrições de concursos e nas compras realizadas via internet.
Em virtude de tais transtornos, os prejudicados pleitearam junto ao poder público municipal, por meio de um projeto de lei apresentado pelo Vereador Didi Mocó, a permanência do nome tradicional da rua. Contudo, os cidadãos que compareceram a Câmara de vereadores foram ignorados e vilipendiado no seu sagrado direito de subjetivar-se.
A maioria dos vereadores fez pouco caso do dilema vivenciado por Seu Plínio e seus oitenta e três anos de história. Um representante do legislativo, (quem Deus o perdoe pela ignorância!) argumentou que não se deve nomear logradouros com nome de árvores. Ele não foi informado que o nome do país é BRASIL em homenagem ao pau-brasil, que o bairro Junco tem esse nome justamente em virtude  da vegetação, que “AROEIRA” é também árvore. Isso sem falar em cidades nomeadas por Cajazeiras, (PA), Juazeiro (CE e BA), Palmeiras, Palmeirais e Buritis (PI) e ainda ruas, avenidas e residenciais, como: Alameda dos Ipês (SP),  Residencial Jardim dos Ipês em Brasília  e tanto outros.
A mobilização continua, mas, a sociedade picoense permanece inerte, tal qual a situação descrita no poema abaixo:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.  (BERTOLD BRECHT)

Aos que fazem a casa do povo picoense um alerta, Seu Plínio tem 83 anos e deseja apenas continuar residindo sob a sombra do cajueiro evocada em suas memórias e um pouco de conhecimento acerca da literatura, história e geografia não fará mal a nenhum de vocês.
Aos demais um lembrete: “eles podem invadir o seu quintal” a qualquer momento e assim como você não se importou quando os órfãos do cajueiro foram amordaçados, vilipendiados e tiveram sequestrados a subjetividade, a identidade e o memorial de vida, ninguém se importará com você.
Aos órfãos do cajueiro uma certeza: eles podem subtrair seus direitos, jamais a memória de uma família que por tanto tempo viveu à sombra do Cajueiro. Continuem na luta pela identidade!!!!


Foto:  Josimar Santana



REFERÊNCIAS

MELO, Fábio. Quem me roubou de mim?: o sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa. São Paulo - SP: Editora Canção Nova, 2008.

BRECHT, Bertold. Intertexto. disponível em: http://projetos.unioeste.br/projetos/leitura/arquivos/oficinas/texto08.pdf

FONTES ORAIS

NASCIMENTO, Plínio Antonio. Entrevista concedida a Josimar Santana. Picos- PI, 2010. 

SANTANA, Maria Joana de Moura.Entrevista concedida a Josimar Santana. Picos- PI, 2010.





quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A batalha das formigas

Foto: Ana Maria Coutinho - Arte do Aluno Jorge - Turma de 2010 
(Pintura em guache) 
Havia no jardim uma colônia de formigas, elas eram muito organizadas e viviam sob o comando da rainha Formissora.
Formissora era uma rainha muito dedicada, amiga e conselheira, porém era exigente e queria que todos cumprissem bem suas tarefas. Ela dividia os grupos de trabalho e nomeava uma líder para cada equipe.
A Formisa Hellen liderava o grupo 1, Formijaíze era a líder do grupo 2, Formirrafaela estava na liderança do grupo 3 e Formiluciana no grupo 4.
As formigas operárias trabalhavam satisfeitas carregando as folhas, frutos, flores e os grãos para o formigueiro. Diariamente, enquanto seguiam o caminho da horta, elas cantavam assim:
 “A formiguinha corta a folha e carrega, quando uma deixa a outra leva.”
Os soldados (as formigas machos) tem como função defender suas colônias, eles  se agrupam em pelotões. Cada pelotão também tem o seu comandante: Pelotão 1 Soldado A. Arizona; Pelotão 2, Soldado A. Carlos; Pelotão 3, Soldado Gabriel; Pelotão 4, Soldado J. Carlos; Pelotão 5, Soldado J. Víctor; Pelotão 6, Soldado J. Werick; Pelotão 7, Soldado Luciano; Pelotão 8, Soldado Wállysson e pelotão 9, Soldado Welton.
Um dia, as operárias estavam voltando para casa, à tardinha, quando de repente foram atacadas por formigas voadoras valentes. As formiguinhas gritavam: Socorro! Socorro! Até que a cigarra que estava na copa de uma árvore ouviu e emitiu um alto sinal de alerta.
Os soldados do pelotão 3 estavam  próximos e marcharam para lá, mas as formigas voadoras eram muitas e ferozes e os soldados estavam perdendo a batalha, a cigarra continuou a emitir o sinal, logo todos os pelotões chegaram e derrotaram as formigas invasoras que bateram em retirada e paz voltou a reinar no formigueiro da rainha Formissora. As formiguinhas felizes cantavam:
“A formiguinha corta a folha e carrega, quando uma deixa a outra leva.”

(Texto escrito para a turma do Se Liga - 2012 e utilizado como incentivo à leitura e resolução de situações-problemas. )  

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Que eu não me perca de mim.... Porque no tempo já me perdi....


Abri o portal da memória
À procura da criança que fui.
Eis que me deparo com o presente
Entrelaçando-se ao tempo e a história.
E a criança? Permanece ausente...
Estará no passado perdida?
Aprisionada no tempo?
Atrás do portal escondida...
A criança não existe mais,
Saiu porta e mundo a fora.
Sentimentos tais quais a parede...
... A casa, o portal... Em ruínas, agora. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DÉCIMO SEGUNDO JULHO

De tudo que tecemos juntos... o mais precioso foi laço de amizade!


Anos após anos, o aniversário da nossa União é divulgado... Assim foi o primeiro, o segundo... E de repente o décimo segundo. 
Em diferentes textos jornalísticos, ano a ano, eram elecandos os feitos da entidade, que iam de realizações de saraus até lançamentos de livros...
Lembro-me com saudades do pequeno grupo de sonhadores seminômades, formado por experientes escritores, novos talentos e adolescentes*balzaquianas... que um dia se reunia na mesa de bar, no outro dia, na casa de um componente, não importava o espaço, o importante era sempre entrelaçar os fios na teia de sonhos.
O grupo agregou muitos adeptos à palavra escrita e se tornou numeroso, entretanto, alguns foram procurar seus destinos em outras paragens, assim veio  uma sucessão de adeus... 
A princípio lamentava um a um que, com sua mala cheia de sonhos, deixava nossa Picos querida, e só depois de muito tempo com o serenar da saudade consegui perceber uma verdade inalienável: a tessitura continua Marta e Ronaldo tecem versos do Ceará, Firmino e João Benvindo de Minas Gerais, Marconi Barros do Tocantins, Deisy de São Paulo, Tarcisio Coelho do Pará.
Ficamos nós: Édio, Vilebaldo, Egito, Eliana... e eu, tecendo versos, sonhos e saudades... Silenciosamente meus cabelos foram embranqueando, o espírito de aventura diminuindo, a vontade de correr atrás dos sonhos se extinguindo, e os versos sumindo.
Não me dei conta de uma dúzia de julhos passados, uma dúzia de rosas, e nem seiquantos espinhos, só  que quando o Édio comentou comigo desta data me bateu uma saudade! Saudade até de quem eu era nos tempos de UPE. Foi então que comecei procurar um verso, ou outro e não encontrei. Chamei as palavras para tessitura de um texto, porém elas fugiram... Coligi alguns fios de reminiscência, para evidenciar o apreço que tenho por verdadeira união.
Pensei, pensei de novo, refleti sobre todas as realizações da UPE, e conclui: De tudo que tecemos juntos, o mais precioso foi o laço de amizade.
P.S. Edivan Araújo foi à nossa capital teceu versos e vida, mas, retornou graças a Deus.
( Texto escrito em julho de 2011)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando o sol se por...


Quando sol se por na minha vida
Que os olhos dos meus filhos sejam os últimos  raios solares que meus olhos possam contemplar 
E os de Maria os primeiros a me guiar.
Quando o luar se fizer companhia eterna quero que o canto lunar seja entoado apenas por aqueles que me amaram a luz do sol.
Dispenso aqueles rituais vazios de sentimentos e repletos de hipocrisia de muitos que a esses comparecem apenas para alimentar a curiosidade e disseminar falácias fúteis e maldosas.
Na intimidade dessa transição dispenso alegorias vãs e lamentações.
Vivi, lutei, amei, fui amada perdi e ganhei ... 
Ganhei mais do que perdi. 
Deus me deu mais do que pedi
A melhor família, os melhores filhos e mais sinceros amigos.
Missão cumprida, hora da partida!
Celebremos a Deus, ao amor e a vida!   
Se a minha vida não foi plena  
Que a passagem seja alegre e serena!
Que meu epitáfio seja apenas: "Meus filhos, meu melhor poema!"
Que a marcha fúnebre seja: “Ando  devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais” (Tocando em frente e Ana bonita de Almir Sater)
Que o brinde seja de uísque ou  vinho. 
Animem-se, vivam brindem...
Deixem que eu siga feliz o outro caminho...
Apenas quando o meu anoitecer naturalmente chegar... 
O sol se por no meu viver...
Por enquanto, deixemos amanhecer, entardecer e o sol brilhar!
Sigo tranquila o meu perene caminhar
Tenho duas razões para viver
Thiago e Theógenes 
Dois amores para amar
Ana Maria Coutinho Feitosa
Foto: Mayra Coutinho

Foto: Mayra Coutinho
Foto: Mayra Coutinho
P.S. Antonio Benevaldo dos Santos tem todas as informações necessárias, caso, esse anoitecer se adiante.  

quarta-feira, 7 de março de 2012

EDUCAÇÃO A SERVIÇO DO HOMEM “NATUREZA E TRANSCENDÊNCIA”

A educação se constitui historicamente em cultura e formação, prática através da qual se torna possível todas às transformações resultantes da intervenção humana.
Paradoxalmente ao educar e educar-se o ser humano liberta e liberta-se... Aliena e aliena-se... É oprimido e opressor... Acultura-se e provoca a aculturação.  Este interminável paradoxo suscita inúmeras reflexões acerca dos caminhos e descaminhos da educação. Do que se deve ensinar, aprender e apreender no ambiente educativo propriamente dito.
Wittman (2004) assegura que aprender é algo inerente ao homem, que também é natureza. Alguns conhecimentos são espontâneos, porém, na interação muito se pode e deve conhecer, visto que, por meio da construção e reconstrução dos conhecimentos se efetiva a intervenção no curso natural, neste contexto o homem pode por fim transcender.

Aprendemos quase tudo o que fazemos e somos. A educação serve ao ser humano que é natureza e transcendência. O ser humano é natureza em tudo que é e faz e não aprendeu, não resultou da interação humana. [...] o ser humano é transcendência porque intervém no curso natural das coisas e interfere, intervém e muda a natureza (WITTMAN, 2004, p. 15)

A educação centrada na acomodação do indivíduo à sociedade e formação profissional, nos moldes da reprodução, tem sido duramente criticada ao longo dos anos. Este paradigma educacional opressor, que cerceia projetos e limita a potencialidade humana, não cabe na instância democrática brasileira, que no período limítrofe entre os séculos XX e XXI passou a vislumbrar a formação plena do ser.
A história da educação brasileira retrata as atrocidades de uma ensinagem autoritária, elitista e excludente. Considerando ser a escola ambiente primordial da educação, há que se refletir sobre o verdadeiro processo de ensino-aprendizagem incorporado pelas instituições educacionais que vislumbram uma gestão democrática.
Pouco ou nada pode contribuir as políticas educacionais bem intencionadas e ancoradas nos mais belos discursos da Política Educacional, se a transformação não florescer no campo institucional específico, ou seja, no interior da própria escola. 
Vieira (2009) ressalta a diferença entre Política Educacional e políticas educacionais. Sendo a primeira, uma Ciência Política em sua aplicação ao caso concreto da educação, e a segunda se refere às múltiplas políticas públicas que se propõem a resolver as questões educacionais.  Desta forma, pode-se afirmar que a Política Educacional é a reflexão teórica sobre políticas educacionais.
Difícil será a Política Educacional refletir as políticas educacionais sem que estas se direcionem as especificidades do contexto educativo com ênfase no arcabouço do cotidiano escolar em sua diversidade de sujeitos. Considerando ser a educação uma tarefa do sujeito, este sujeito é também chamado a atuar politicamente no processo de reconstrução e gestão da escola, para que esta cumpra o seu papel político e social.
É pertinente a observação de Vieira (2009) no que concerne a visão equivocada de se tomar a formulação de políticas como domínio exclusivo do Poder Público, visto que, é no trânsito entre a sociedade política e civil que se tece o ideário da base de ações que podem ir ao encontro, e não de encontro, do bem comum.

As políticas de educação pode se manifestar em qualquer nível e não apenas no âmbito do governo central. Assim, são objetos de interesse e de análise da política educacional as iniciativas do Poder Público, em suas diferentes instâncias (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e espaços (órgãos centrais e intermediários do sistema e unidades escolares) sua esfera de abrangência é ampla. [...] (Op. cit. p. 24).

Partindo deste pressuposto, fica evidente que a instituição escolar não pode prescindir da autonomia em relação à política educacional que abranja a gestão de recursos, funcionalidade de espaço, abordagem de conteúdos e metodologias condizentes com a realidade na qual se insere. Desta forma, contribuirá efetivamente para que ocorra a aprendizagem significativa.
Sem adentrar o mérito da discussão sobre escola tradicional e escola nova, pode-se inferir que a escola arraigada no autoritarismo, cujas ações administrativas estão na esfera da centralidade de poder, não opera a emancipação do sujeito, portanto, não corresponde aos anseios do educando como protagonista do processo educativo.
Em consonância com Wittman (2004), a escola é determinante enquanto espaço formativo, posto que, ela é vital no processo de maturação e de formação do devir humano, logo, a escola se configura como útero social e se constitui como ambiente mediador entre as pessoas e a cultura de seu tempo e espaço histórico-geográfico. 
Na escola são tecidas as diferentes relações sociais que resultam em desenvolvimento de habilidades e competências nas quais se firmam o saber. Apreciar, vivenciar e compartilhar são componentes da formação humana que a escola deve propiciar ao sujeito, para que ele possa construir, destruir, reconstruir, enfim, apropriar-se do conhecimento.
A gama de possibilidades de construção saberes no interior da instituição escolar conduz o ser humano à transcendência, ou seja, a tessituras de novos saberes e tecitura de uma nova história. Considerando que, “transcendência, fundamentalmente, é essa capacidade de romper todos os limites, superar e violar os interditos projetar-se sempre num mais além”.  (BOFF, 2000, p. 8).
A educação que emancipa e aquela que faz suscitar o pensamento crítico que incita a pesquisa e inspira a projeção. Neste ambiente, o cerne da prática educativa é o educando, a ele compete transcender, romper com as amarras ideológicas de uma educação revestida como produto, cotejar, contestar, protestar e projetar livremente.
A educação democrática pressupõe prioritariamente a liberdade de educar-se. Logo, compete à escola acolher os anseios libertários do educando, e simultaneamente conscientizar que a liberdade remete ao compromisso e a co-responsabilidade. Para que enfim, se possa vislumbrar uma educação para a transcendência


REFERÊNCIAS
BOFF, Leonardo. Tempo de Transcendência. Sextante, 2000. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/2951200/Tempo-de-Transcendencia-Leonardo-Boff>.

VIEIRA, Sofia Lerche. Educação básica política e gestão da escola. Brasília: Líber Livro, 2009.

WITTMANN, Lauro Carlos. Gestão democrática. Curitiba: Ibpex, 2007.  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Justina: um nome que faz jus a personalidade e ao caráter da pessoa.


Tia Justina e Ronildo: foto datada de 14.11.79, em Picos-PI


Quem conhece tia Justina há de concordar que é uma pessoa íntegra, justa, amável, generosa, bondosa... Um ser humano que consegue agregar todas as qualidades positivas. Que é paradoxalmente um ser singular e plural e que emana uma energia transcendental.
Tia Justina está nas minhas melhores memórias de infância... Na voz afetuosa da compreensão de quem perdoava as artes de uma menina arteira e que também despertava a curiosidade do imaginário infantil ao contar as histórias de “trancoso” e cantá-las.
“Heleninha era uma moça, filha de um rico doutor. Adauto era um rapaz pobre, mas, era trabalhador. Desde eles pequenos que segui naquele amor. Heleninha só você alivia minha. Meu coração ta entregue naquele buquê de flor.”
Tia Justina é o cheiro de suave de guloseimas de infância. Ela mesma inventava pratos que enchiam os olhos e davam água na boca, tudo para  satisfazer os caprichos de uma menina que vivia de mal com as comidas. Bolo de goma em latinhas de sardinha, capitão de feijão, mel de rapadura com casca de laranja, caldinho verde (carne batida, cheiro verde, farinha torrada).  
Além de mestre-cuca, ela também é modista, estilista, autora dos meus mais belos vestidos de pequena mimada. Será sempre a responsável pelo brilho das minhas retinas  ao vislumbrava o vestido novo. E como se não bastasse, fez a minha cabeça durante toda a minha infância e adolescência, no sentindo literal e metafórico. Sempre teve o mais sábio conselho nos momentos difíceis e a melhor orientação quando eu perdia o norte, como também cuidava das minhas loiras e lisas madeixas, quer fazendo lindas tranças ou belos cortes.   
Tia Justina é a personificação do afeto... É a minha fada do bem! Está no espelho da memória, nos sabores mais doces, nos aromas mais suaves, nas cores mais perfeitas. E permanece no abraço carinhoso que me enlaça. 
Viva Tia Justina! Viva muito! O seu viver me faz imensamente feliz. 
Registro do aniversário de Netinho em 19 de janeiro de 1991.
Arriscar-se a falar de um ser que de tão humano se confunde com o divino é complicado. Tia Justina não cabe nas palavras, portanto, impossível será definir esta mulher que é um referencial de amor e de todos os sentimentos nobres inerentes ao ser humano. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Janeiro: tempo de encontro.


O mês de janeiro é assim uma espécie de tempo de encontro. Os familiares e amigos que moram em outras cidades e em outros estados voltam e de repente a gente sente aquela sensação “da alegria do encontro”.
Durante este mês vivi esta alegria repetidas vezes, e vários momentos alguém resolveu trazer a tona à sessão saudade. Tal sessão girou em torno de um programa de rádio que fiz nos anos 2002 e 2003. 
Era na verdade um encontro de amigos, uma conversa pluri-temática onde foram abordados assuntos sérios relacionados à problemática social, econômica, política e cultural brasileira e cotidianidades, tudo regado à poesia e MPB. Em uma hora de programa diário eu conseguia reunir amigos e fazer novas amizades.
A amizade de Carlos Eugênio é um presente que o “Recital 99” me trouxe e que permaneceu, sobrevivendo assim, ao fim o programa.  Por indicação de Vilebaldo, ele foi nosso convidado especial em um programa, convocado pelo público ouvinte, voltou e fez belíssimas participações em dois ou três programas, sem dúvida nenhuma, os maiores picos de audiência.
Além de assuntos ligados à conjuntura brasileira contemporânea, ele versa com muita facilidade sobre literatura, MPB, e como se não bastasse, toca violão, canta, e canta bem!  
Desde então, janeiro traz de presente Carlos “O Gêniototalmente desprovido de vaidades, orgulho ou qualquer tipo de presunção, apesar de fonte inesgotável de informação e sabedoria, ele é de fato a personificação da humildade. Como diz meu filho adolescente, “ele é o cara”!
Neste janeiro, com sempre, Carlos chegou, porém, logo que botou os pés em solo picoense sua agenda estava completa. Quem não conseguiu agendar um encontro, uma visita com Eugênio (“Ele Gênio”) segue em romaria os passos dele. Como não agendei antes, não tive alternativa, senão, segui-lo, assim o fiz.
Fui à casa de Vilebaldo e Rozângela  vivenciar a alegria do encontro com Carlos Eugênio, Marineide e a linda Flora, Marinísia, Marli e Júnior, Ivo Farias, etc. Numa outra ocasião, o reencontro ocorreu na casa da Marli com mais pessoas e muita música... Impressionante a facilidade que Carlos tem de agregar amigos.
Esperemos o próximo janeiro para reencontramos "Elegênio" !
Foto do arquivo pessoal de Carlos Eugênio

Este texto (uma espécie de brinquedo) foi escrito em janeiro de 2011... Neste janeiro (2012) Carlos Eugênio não veio, então resolvi publicá-lo. Assim, sem revestimento literário ou recursos de retórica... Apenas um tributo ao amigo!