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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Que eu não me perca de mim.... Porque no tempo já me perdi....


Abri o portal da memória
À procura da criança que fui.
Eis que me deparo com o presente
Entrelaçando-se ao tempo e a história.
E a criança? Permanece ausente...
Estará no passado perdida?
Aprisionada no tempo?
Atrás do portal escondida...
A criança não existe mais,
Saiu porta e mundo a fora.
Sentimentos tais quais a parede...
... A casa, o portal... Em ruínas, agora. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DÉCIMO SEGUNDO JULHO

De tudo que tecemos juntos... o mais precioso foi laço de amizade!


Anos após anos, o aniversário da nossa União é divulgado... Assim foi o primeiro, o segundo... E de repente o décimo segundo. 
Em diferentes textos jornalísticos, ano a ano, eram elecandos os feitos da entidade, que iam de realizações de saraus até lançamentos de livros...
Lembro-me com saudades do pequeno grupo de sonhadores seminômades, formado por experientes escritores, novos talentos e adolescentes*balzaquianas... que um dia se reunia na mesa de bar, no outro dia, na casa de um componente, não importava o espaço, o importante era sempre entrelaçar os fios na teia de sonhos.
O grupo agregou muitos adeptos à palavra escrita e se tornou numeroso, entretanto, alguns foram procurar seus destinos em outras paragens, assim veio  uma sucessão de adeus... 
A princípio lamentava um a um que, com sua mala cheia de sonhos, deixava nossa Picos querida, e só depois de muito tempo com o serenar da saudade consegui perceber uma verdade inalienável: a tessitura continua Marta e Ronaldo tecem versos do Ceará, Firmino e João Benvindo de Minas Gerais, Marconi Barros do Tocantins, Deisy de São Paulo, Tarcisio Coelho do Pará.
Ficamos nós: Édio, Vilebaldo, Egito, Eliana... e eu, tecendo versos, sonhos e saudades... Silenciosamente meus cabelos foram embranqueando, o espírito de aventura diminuindo, a vontade de correr atrás dos sonhos se extinguindo, e os versos sumindo.
Não me dei conta de uma dúzia de julhos passados, uma dúzia de rosas, e nem seiquantos espinhos, só  que quando o Édio comentou comigo desta data me bateu uma saudade! Saudade até de quem eu era nos tempos de UPE. Foi então que comecei procurar um verso, ou outro e não encontrei. Chamei as palavras para tessitura de um texto, porém elas fugiram... Coligi alguns fios de reminiscência, para evidenciar o apreço que tenho por verdadeira união.
Pensei, pensei de novo, refleti sobre todas as realizações da UPE, e conclui: De tudo que tecemos juntos, o mais precioso foi o laço de amizade.
P.S. Edivan Araújo foi à nossa capital teceu versos e vida, mas, retornou graças a Deus.
( Texto escrito em julho de 2011)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando o sol se por...


Quando sol se por na minha vida
Que os olhos dos meus filhos sejam os últimos  raios solares que meus olhos possam contemplar 
E os de Maria os primeiros a me guiar.
Quando o luar se fizer companhia eterna quero que o canto lunar seja entoado apenas por aqueles que me amaram a luz do sol.
Dispenso aqueles rituais vazios de sentimentos e repletos de hipocrisia de muitos que a esses comparecem apenas para alimentar a curiosidade e disseminar falácias fúteis e maldosas.
Na intimidade dessa transição dispenso alegorias vãs e lamentações.
Vivi, lutei, amei, fui amada perdi e ganhei ... 
Ganhei mais do que perdi. 
Deus me deu mais do que pedi
A melhor família, os melhores filhos e mais sinceros amigos.
Missão cumprida, hora da partida!
Celebremos a Deus, ao amor e a vida!   
Se a minha vida não foi plena  
Que a passagem seja alegre e serena!
Que meu epitáfio seja apenas: "Meus filhos, meu melhor poema!"
Que a marcha fúnebre seja: “Ando  devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais” (Tocando em frente e Ana bonita de Almir Sater)
Que o brinde seja de uísque ou  vinho. 
Animem-se, vivam brindem...
Deixem que eu siga feliz o outro caminho...
Apenas quando o meu anoitecer naturalmente chegar... 
O sol se por no meu viver...
Por enquanto, deixemos amanhecer, entardecer e o sol brilhar!
Sigo tranquila o meu perene caminhar
Tenho duas razões para viver
Thiago e Theógenes 
Dois amores para amar
Ana Maria Coutinho Feitosa
Foto: Mayra Coutinho

Foto: Mayra Coutinho
Foto: Mayra Coutinho
P.S. Antonio Benevaldo dos Santos tem todas as informações necessárias, caso, esse anoitecer se adiante.  

quarta-feira, 7 de março de 2012

EDUCAÇÃO A SERVIÇO DO HOMEM “NATUREZA E TRANSCENDÊNCIA”

A educação se constitui historicamente em cultura e formação, prática através da qual se torna possível todas às transformações resultantes da intervenção humana.
Paradoxalmente ao educar e educar-se o ser humano liberta e liberta-se... Aliena e aliena-se... É oprimido e opressor... Acultura-se e provoca a aculturação.  Este interminável paradoxo suscita inúmeras reflexões acerca dos caminhos e descaminhos da educação. Do que se deve ensinar, aprender e apreender no ambiente educativo propriamente dito.
Wittman (2004) assegura que aprender é algo inerente ao homem, que também é natureza. Alguns conhecimentos são espontâneos, porém, na interação muito se pode e deve conhecer, visto que, por meio da construção e reconstrução dos conhecimentos se efetiva a intervenção no curso natural, neste contexto o homem pode por fim transcender.

Aprendemos quase tudo o que fazemos e somos. A educação serve ao ser humano que é natureza e transcendência. O ser humano é natureza em tudo que é e faz e não aprendeu, não resultou da interação humana. [...] o ser humano é transcendência porque intervém no curso natural das coisas e interfere, intervém e muda a natureza (WITTMAN, 2004, p. 15)

A educação centrada na acomodação do indivíduo à sociedade e formação profissional, nos moldes da reprodução, tem sido duramente criticada ao longo dos anos. Este paradigma educacional opressor, que cerceia projetos e limita a potencialidade humana, não cabe na instância democrática brasileira, que no período limítrofe entre os séculos XX e XXI passou a vislumbrar a formação plena do ser.
A história da educação brasileira retrata as atrocidades de uma ensinagem autoritária, elitista e excludente. Considerando ser a escola ambiente primordial da educação, há que se refletir sobre o verdadeiro processo de ensino-aprendizagem incorporado pelas instituições educacionais que vislumbram uma gestão democrática.
Pouco ou nada pode contribuir as políticas educacionais bem intencionadas e ancoradas nos mais belos discursos da Política Educacional, se a transformação não florescer no campo institucional específico, ou seja, no interior da própria escola. 
Vieira (2009) ressalta a diferença entre Política Educacional e políticas educacionais. Sendo a primeira, uma Ciência Política em sua aplicação ao caso concreto da educação, e a segunda se refere às múltiplas políticas públicas que se propõem a resolver as questões educacionais.  Desta forma, pode-se afirmar que a Política Educacional é a reflexão teórica sobre políticas educacionais.
Difícil será a Política Educacional refletir as políticas educacionais sem que estas se direcionem as especificidades do contexto educativo com ênfase no arcabouço do cotidiano escolar em sua diversidade de sujeitos. Considerando ser a educação uma tarefa do sujeito, este sujeito é também chamado a atuar politicamente no processo de reconstrução e gestão da escola, para que esta cumpra o seu papel político e social.
É pertinente a observação de Vieira (2009) no que concerne a visão equivocada de se tomar a formulação de políticas como domínio exclusivo do Poder Público, visto que, é no trânsito entre a sociedade política e civil que se tece o ideário da base de ações que podem ir ao encontro, e não de encontro, do bem comum.

As políticas de educação pode se manifestar em qualquer nível e não apenas no âmbito do governo central. Assim, são objetos de interesse e de análise da política educacional as iniciativas do Poder Público, em suas diferentes instâncias (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e espaços (órgãos centrais e intermediários do sistema e unidades escolares) sua esfera de abrangência é ampla. [...] (Op. cit. p. 24).

Partindo deste pressuposto, fica evidente que a instituição escolar não pode prescindir da autonomia em relação à política educacional que abranja a gestão de recursos, funcionalidade de espaço, abordagem de conteúdos e metodologias condizentes com a realidade na qual se insere. Desta forma, contribuirá efetivamente para que ocorra a aprendizagem significativa.
Sem adentrar o mérito da discussão sobre escola tradicional e escola nova, pode-se inferir que a escola arraigada no autoritarismo, cujas ações administrativas estão na esfera da centralidade de poder, não opera a emancipação do sujeito, portanto, não corresponde aos anseios do educando como protagonista do processo educativo.
Em consonância com Wittman (2004), a escola é determinante enquanto espaço formativo, posto que, ela é vital no processo de maturação e de formação do devir humano, logo, a escola se configura como útero social e se constitui como ambiente mediador entre as pessoas e a cultura de seu tempo e espaço histórico-geográfico. 
Na escola são tecidas as diferentes relações sociais que resultam em desenvolvimento de habilidades e competências nas quais se firmam o saber. Apreciar, vivenciar e compartilhar são componentes da formação humana que a escola deve propiciar ao sujeito, para que ele possa construir, destruir, reconstruir, enfim, apropriar-se do conhecimento.
A gama de possibilidades de construção saberes no interior da instituição escolar conduz o ser humano à transcendência, ou seja, a tessituras de novos saberes e tecitura de uma nova história. Considerando que, “transcendência, fundamentalmente, é essa capacidade de romper todos os limites, superar e violar os interditos projetar-se sempre num mais além”.  (BOFF, 2000, p. 8).
A educação que emancipa e aquela que faz suscitar o pensamento crítico que incita a pesquisa e inspira a projeção. Neste ambiente, o cerne da prática educativa é o educando, a ele compete transcender, romper com as amarras ideológicas de uma educação revestida como produto, cotejar, contestar, protestar e projetar livremente.
A educação democrática pressupõe prioritariamente a liberdade de educar-se. Logo, compete à escola acolher os anseios libertários do educando, e simultaneamente conscientizar que a liberdade remete ao compromisso e a co-responsabilidade. Para que enfim, se possa vislumbrar uma educação para a transcendência


REFERÊNCIAS
BOFF, Leonardo. Tempo de Transcendência. Sextante, 2000. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/2951200/Tempo-de-Transcendencia-Leonardo-Boff>.

VIEIRA, Sofia Lerche. Educação básica política e gestão da escola. Brasília: Líber Livro, 2009.

WITTMANN, Lauro Carlos. Gestão democrática. Curitiba: Ibpex, 2007.