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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando o sol se por...


Quando sol se por na minha vida
Que os olhos dos meus filhos sejam os últimos  raios solares que meus olhos possam contemplar 
E os de Maria os primeiros a me guiar.
Quando o luar se fizer companhia eterna quero que o canto lunar seja entoado apenas por aqueles que me amaram a luz do sol.
Dispenso aqueles rituais vazios de sentimentos e repletos de hipocrisia de muitos que a esses comparecem apenas para alimentar a curiosidade e disseminar falácias fúteis e maldosas.
Na intimidade dessa transição dispenso alegorias vãs e lamentações.
Vivi, lutei, amei, fui amada perdi e ganhei ... 
Ganhei mais do que perdi. 
Deus me deu mais do que pedi
A melhor família, os melhores filhos e mais sinceros amigos.
Missão cumprida, hora da partida!
Celebremos a Deus, ao amor e a vida!   
Se a minha vida não foi plena  
Que a passagem seja alegre e serena!
Que meu epitáfio seja apenas: "Meus filhos, meu melhor poema!"
Que a marcha fúnebre seja: “Ando  devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais” (Tocando em frente e Ana bonita de Almir Sater)
Que o brinde seja de uísque ou  vinho. 
Animem-se, vivam brindem...
Deixem que eu siga feliz o outro caminho...
Apenas quando o meu anoitecer naturalmente chegar... 
O sol se por no meu viver...
Por enquanto, deixemos amanhecer, entardecer e o sol brilhar!
Sigo tranquila o meu perene caminhar
Tenho duas razões para viver
Thiago e Theógenes 
Dois amores para amar
Ana Maria Coutinho Feitosa
Foto: Mayra Coutinho

Foto: Mayra Coutinho
Foto: Mayra Coutinho
P.S. Antonio Benevaldo dos Santos tem todas as informações necessárias, caso, esse anoitecer se adiante.  

quarta-feira, 7 de março de 2012

EDUCAÇÃO A SERVIÇO DO HOMEM “NATUREZA E TRANSCENDÊNCIA”

A educação se constitui historicamente em cultura e formação, prática através da qual se torna possível todas às transformações resultantes da intervenção humana.
Paradoxalmente ao educar e educar-se o ser humano liberta e liberta-se... Aliena e aliena-se... É oprimido e opressor... Acultura-se e provoca a aculturação.  Este interminável paradoxo suscita inúmeras reflexões acerca dos caminhos e descaminhos da educação. Do que se deve ensinar, aprender e apreender no ambiente educativo propriamente dito.
Wittman (2004) assegura que aprender é algo inerente ao homem, que também é natureza. Alguns conhecimentos são espontâneos, porém, na interação muito se pode e deve conhecer, visto que, por meio da construção e reconstrução dos conhecimentos se efetiva a intervenção no curso natural, neste contexto o homem pode por fim transcender.

Aprendemos quase tudo o que fazemos e somos. A educação serve ao ser humano que é natureza e transcendência. O ser humano é natureza em tudo que é e faz e não aprendeu, não resultou da interação humana. [...] o ser humano é transcendência porque intervém no curso natural das coisas e interfere, intervém e muda a natureza (WITTMAN, 2004, p. 15)

A educação centrada na acomodação do indivíduo à sociedade e formação profissional, nos moldes da reprodução, tem sido duramente criticada ao longo dos anos. Este paradigma educacional opressor, que cerceia projetos e limita a potencialidade humana, não cabe na instância democrática brasileira, que no período limítrofe entre os séculos XX e XXI passou a vislumbrar a formação plena do ser.
A história da educação brasileira retrata as atrocidades de uma ensinagem autoritária, elitista e excludente. Considerando ser a escola ambiente primordial da educação, há que se refletir sobre o verdadeiro processo de ensino-aprendizagem incorporado pelas instituições educacionais que vislumbram uma gestão democrática.
Pouco ou nada pode contribuir as políticas educacionais bem intencionadas e ancoradas nos mais belos discursos da Política Educacional, se a transformação não florescer no campo institucional específico, ou seja, no interior da própria escola. 
Vieira (2009) ressalta a diferença entre Política Educacional e políticas educacionais. Sendo a primeira, uma Ciência Política em sua aplicação ao caso concreto da educação, e a segunda se refere às múltiplas políticas públicas que se propõem a resolver as questões educacionais.  Desta forma, pode-se afirmar que a Política Educacional é a reflexão teórica sobre políticas educacionais.
Difícil será a Política Educacional refletir as políticas educacionais sem que estas se direcionem as especificidades do contexto educativo com ênfase no arcabouço do cotidiano escolar em sua diversidade de sujeitos. Considerando ser a educação uma tarefa do sujeito, este sujeito é também chamado a atuar politicamente no processo de reconstrução e gestão da escola, para que esta cumpra o seu papel político e social.
É pertinente a observação de Vieira (2009) no que concerne a visão equivocada de se tomar a formulação de políticas como domínio exclusivo do Poder Público, visto que, é no trânsito entre a sociedade política e civil que se tece o ideário da base de ações que podem ir ao encontro, e não de encontro, do bem comum.

As políticas de educação pode se manifestar em qualquer nível e não apenas no âmbito do governo central. Assim, são objetos de interesse e de análise da política educacional as iniciativas do Poder Público, em suas diferentes instâncias (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e espaços (órgãos centrais e intermediários do sistema e unidades escolares) sua esfera de abrangência é ampla. [...] (Op. cit. p. 24).

Partindo deste pressuposto, fica evidente que a instituição escolar não pode prescindir da autonomia em relação à política educacional que abranja a gestão de recursos, funcionalidade de espaço, abordagem de conteúdos e metodologias condizentes com a realidade na qual se insere. Desta forma, contribuirá efetivamente para que ocorra a aprendizagem significativa.
Sem adentrar o mérito da discussão sobre escola tradicional e escola nova, pode-se inferir que a escola arraigada no autoritarismo, cujas ações administrativas estão na esfera da centralidade de poder, não opera a emancipação do sujeito, portanto, não corresponde aos anseios do educando como protagonista do processo educativo.
Em consonância com Wittman (2004), a escola é determinante enquanto espaço formativo, posto que, ela é vital no processo de maturação e de formação do devir humano, logo, a escola se configura como útero social e se constitui como ambiente mediador entre as pessoas e a cultura de seu tempo e espaço histórico-geográfico. 
Na escola são tecidas as diferentes relações sociais que resultam em desenvolvimento de habilidades e competências nas quais se firmam o saber. Apreciar, vivenciar e compartilhar são componentes da formação humana que a escola deve propiciar ao sujeito, para que ele possa construir, destruir, reconstruir, enfim, apropriar-se do conhecimento.
A gama de possibilidades de construção saberes no interior da instituição escolar conduz o ser humano à transcendência, ou seja, a tessituras de novos saberes e tecitura de uma nova história. Considerando que, “transcendência, fundamentalmente, é essa capacidade de romper todos os limites, superar e violar os interditos projetar-se sempre num mais além”.  (BOFF, 2000, p. 8).
A educação que emancipa e aquela que faz suscitar o pensamento crítico que incita a pesquisa e inspira a projeção. Neste ambiente, o cerne da prática educativa é o educando, a ele compete transcender, romper com as amarras ideológicas de uma educação revestida como produto, cotejar, contestar, protestar e projetar livremente.
A educação democrática pressupõe prioritariamente a liberdade de educar-se. Logo, compete à escola acolher os anseios libertários do educando, e simultaneamente conscientizar que a liberdade remete ao compromisso e a co-responsabilidade. Para que enfim, se possa vislumbrar uma educação para a transcendência


REFERÊNCIAS
BOFF, Leonardo. Tempo de Transcendência. Sextante, 2000. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/2951200/Tempo-de-Transcendencia-Leonardo-Boff>.

VIEIRA, Sofia Lerche. Educação básica política e gestão da escola. Brasília: Líber Livro, 2009.

WITTMANN, Lauro Carlos. Gestão democrática. Curitiba: Ibpex, 2007.  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Justina: um nome que faz jus a personalidade e ao caráter da pessoa.


Tia Justina e Ronildo: foto datada de 14.11.79, em Picos-PI


Quem conhece tia Justina há de concordar que é uma pessoa íntegra, justa, amável, generosa, bondosa... Um ser humano que consegue agregar todas as qualidades positivas. Que é paradoxalmente um ser singular e plural e que emana uma energia transcendental.
Tia Justina está nas minhas melhores memórias de infância... Na voz afetuosa da compreensão de quem perdoava as artes de uma menina arteira e que também despertava a curiosidade do imaginário infantil ao contar as histórias de “trancoso” e cantá-las.
“Heleninha era uma moça, filha de um rico doutor. Adauto era um rapaz pobre, mas, era trabalhador. Desde eles pequenos que segui naquele amor. Heleninha só você alivia minha. Meu coração ta entregue naquele buquê de flor.”
Tia Justina é o cheiro de suave de guloseimas de infância. Ela mesma inventava pratos que enchiam os olhos e davam água na boca, tudo para  satisfazer os caprichos de uma menina que vivia de mal com as comidas. Bolo de goma em latinhas de sardinha, capitão de feijão, mel de rapadura com casca de laranja, caldinho verde (carne batida, cheiro verde, farinha torrada).  
Além de mestre-cuca, ela também é modista, estilista, autora dos meus mais belos vestidos de pequena mimada. Será sempre a responsável pelo brilho das minhas retinas  ao vislumbrava o vestido novo. E como se não bastasse, fez a minha cabeça durante toda a minha infância e adolescência, no sentindo literal e metafórico. Sempre teve o mais sábio conselho nos momentos difíceis e a melhor orientação quando eu perdia o norte, como também cuidava das minhas loiras e lisas madeixas, quer fazendo lindas tranças ou belos cortes.   
Tia Justina é a personificação do afeto... É a minha fada do bem! Está no espelho da memória, nos sabores mais doces, nos aromas mais suaves, nas cores mais perfeitas. E permanece no abraço carinhoso que me enlaça. 
Viva Tia Justina! Viva muito! O seu viver me faz imensamente feliz. 
Registro do aniversário de Netinho em 19 de janeiro de 1991.
Arriscar-se a falar de um ser que de tão humano se confunde com o divino é complicado. Tia Justina não cabe nas palavras, portanto, impossível será definir esta mulher que é um referencial de amor e de todos os sentimentos nobres inerentes ao ser humano. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Janeiro: tempo de encontro.


O mês de janeiro é assim uma espécie de tempo de encontro. Os familiares e amigos que moram em outras cidades e em outros estados voltam e de repente a gente sente aquela sensação “da alegria do encontro”.
Durante este mês vivi esta alegria repetidas vezes, e vários momentos alguém resolveu trazer a tona à sessão saudade. Tal sessão girou em torno de um programa de rádio que fiz nos anos 2002 e 2003. 
Era na verdade um encontro de amigos, uma conversa pluri-temática onde foram abordados assuntos sérios relacionados à problemática social, econômica, política e cultural brasileira e cotidianidades, tudo regado à poesia e MPB. Em uma hora de programa diário eu conseguia reunir amigos e fazer novas amizades.
A amizade de Carlos Eugênio é um presente que o “Recital 99” me trouxe e que permaneceu, sobrevivendo assim, ao fim o programa.  Por indicação de Vilebaldo, ele foi nosso convidado especial em um programa, convocado pelo público ouvinte, voltou e fez belíssimas participações em dois ou três programas, sem dúvida nenhuma, os maiores picos de audiência.
Além de assuntos ligados à conjuntura brasileira contemporânea, ele versa com muita facilidade sobre literatura, MPB, e como se não bastasse, toca violão, canta, e canta bem!  
Desde então, janeiro traz de presente Carlos “O Gêniototalmente desprovido de vaidades, orgulho ou qualquer tipo de presunção, apesar de fonte inesgotável de informação e sabedoria, ele é de fato a personificação da humildade. Como diz meu filho adolescente, “ele é o cara”!
Neste janeiro, com sempre, Carlos chegou, porém, logo que botou os pés em solo picoense sua agenda estava completa. Quem não conseguiu agendar um encontro, uma visita com Eugênio (“Ele Gênio”) segue em romaria os passos dele. Como não agendei antes, não tive alternativa, senão, segui-lo, assim o fiz.
Fui à casa de Vilebaldo e Rozângela  vivenciar a alegria do encontro com Carlos Eugênio, Marineide e a linda Flora, Marinísia, Marli e Júnior, Ivo Farias, etc. Numa outra ocasião, o reencontro ocorreu na casa da Marli com mais pessoas e muita música... Impressionante a facilidade que Carlos tem de agregar amigos.
Esperemos o próximo janeiro para reencontramos "Elegênio" !
Foto do arquivo pessoal de Carlos Eugênio

Este texto (uma espécie de brinquedo) foi escrito em janeiro de 2011... Neste janeiro (2012) Carlos Eugênio não veio, então resolvi publicá-lo. Assim, sem revestimento literário ou recursos de retórica... Apenas um tributo ao amigo!