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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"PROFESSORA SIM, TIA NÃO"


Estava em casa pensando o que postar nos blogs para homenagear as colegas, quando chegou uma amiga, professora também, com um ramalhete de flores um presente pela passagem do nosso dia...
E começamos a conversar sobre as ideias de Demerval Savianni tecidas na obra E"scola e Democracia", refletimos sobre "a reprodução... a violência simbólica, "a teoria da curvatura da vara", as críticas que ele faz às teorias da educação, etc. Finalizando fizemos algumas reflexõe acerca da nossa prática pedagógica, das inquietações cotidianas e combinamos um jantar para comemorar o nosso dia.
Por volta das vinte e três horas minha amiga se despediu. Voltei a conjecturar sobre o escrever aqui...
Lembrei do que me disse um conceituado médico quando o procurei há uma semana atrás no seu consultório. Como é de praxe o bom médico estabelece um diálogo antes de examinar o paciente. Em meio à conversa, antes mesmo de ouvir o meu relatório de queixas, ele me perguntou qual era a minha profissão. De imediato disse-lhe: "Sou professora". Com a simpatia que lhe é peculiar ele arrematou: "Sofressora", acrescentando que a maioria de seus pacientes são professores...
Refletindo sobre a longa conversa que tive com o médico e com muitas dúvidas em relação o que escrever que não trasparecesse revolta ou autopiedade resolvi. "PROFESSORA SIM, TIA NÃO" 
Rapidamente procurei o livro de Paulo Freire e faço uso das palavras dele para prestar uma homenagem a esta classe.
Professora sim, tia não”.
“No fundo, o discurso sintético ou simplificado, mas bastante comunicante, poderia, de forma ampliada, ser assim feito: minha intenção neste texto é mostrar que a tarefa do ensinante, que é também aprendiz, sendo prazerosa é igualmente exigente. Exigente de seriedade, de preparo científico, de preparo físico, emocional, afetivo. É uma tarefa que requer de quem com ela se compromete um gosto especial de querer bem não aos outros, mas ao próprio processo que ela implica. É impossível ensinar sem essa coragem de querer bem, sem a valentia dos que insistem mil vezes antes de uma desistência. É impossível ensinar sem a capacidade forjada, inventada, bem cuidada de amar. [...] 
É preciso ousar, no sentido pleno desta palavra, para falar em amor sem temer ser chamado de piegas, de meloso, de a-científico, senão de anti-científico. É preciso ousar para dizer, cientificamente e não bla-bla-blantemente, que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com os sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com, esta apenas
É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo 'do emocional É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando por longo tempo nas condições que conhecemos, mal pagos, desrespeitados e resistindo ao risco de cair vencidos pelo cinismo. É preciso ousar, aprender a ousar, para dizer não à burocratização da mente a que nos expomos diariamente. É preciso ousar para continuar quando às vezes se pode deixar de fazê-la, com vantagens materiais.[...]
Nada disso, porém, converte a tarefa de ensinar num que--fazer de seres pacientes, dóceis, acomodados, porque portadores de missão tão exemplar que não pode se conciliar com atos de rebeldia, de protesto, como greves, por exemplo. A tarefa de ensinar é uma tarefa profissional que, no entanto, exige amorosidade, criatividade, competência científica mas recusa a estreiteza cientificista, que exige a capacidade de brigar pela liberdade sem a qual a própria tarefa fenece.
O que me parece necessário na tentativa de compreensão crítica do enunciado professora, sim; tia, não, se não é opor a professora à tia não é também identificá-las ou reduzir a professora à condição de tia. A professora pode ter sobrinhos e por isso é tia da mesma forma que qualquer tia pode ensinar, pode ser professora, por isso, trabalhar com alunos. Isto não significa, porém, que a tarefa de ensinar transforme a professora em tia de seus alunos da mesma forma como uma tia qualquer não se converte em professora de seus sobrinhos por ser tia deles. 
Ensinar é profissão que envolve certa tarefa, certa militância, certa especificidade no seu cumprimento enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Ser professora implica assumir uma profissão enquanto não se é tia por profissão. Se pode ser tio ou tia geograficamente ou afetivamente distante dos sobrinhos mas não se pode ser autenticamente professora, mesmo num trabalho a longa distância, “longe” dos alunos.
O processo de ensinar, que implica o de educar e vice-versa, envolve a “paixão de conhecerque nos insere numa busca prazerosa, ainda que nada fácil. Por isso é que uma das razões da necessidade da ousadia de quem se quer fazer professora, educadora, é a disposição pela briga justa, lúcida, em defesa de seus direitos como no sentido da criação das conceições para a alegria na escola, um dos sonhos de Snyders
Recusar a identificação da figura do professor com a da tia não significa, de modo algum, diminuir ou menosprezar a figura da tia, da mesma forma como aceitar a identificação não traduz nenhuma valoração à lei. “Significa, pelo contrário, retirar algo fundamental  professor: sua responsabilidade profissional de que faz parte a exigência política por sua formação permanente...” Paulo Freire

Depois de tão magníficas, profundas e pertinentes reflexões só me resta dizer a você amiga professora e amigo professor que esta nossa tarefa pode parecer sofrida, porém, é sublime. Parabéns, não tão somente pelo seu dia, mas, por todos os dias e noites dedicadas a missão de educar!!! 
  
Flores para os professores







domingo, 19 de setembro de 2010

Deisy, temos mais mil motivos para comemorações!!!

Tudo começou assim:



Eis o momento em que atribui o verdadeiro sentido à palavra "primavera" . Você fez florescer em nossas vidas todas flores com aromas e cores do amor.
Não te carreguei no ventre, peguei no colo e segredei ao teu ouvido: "Não chores! Te carrego e carregarei sempre no coração!"
O tempo foi passando e você descobrindo os mistérios da vida e partilhando comigo os melhores e os piores momentos.
Até que um dia, decidida a brincar com as palavras, você manifestou o desejo de se unir aos "carregadores de água na peneira", não podendo mais te carregar no colo, segurei tua mão... Aqui você "rabiscou seus pensamentos" e nos premiou com seus versos de primavera.



Estes são apenas alguns momentos... Os outros você tem guardado e gravado em imagens e na alma...
O tempo foi teu aliado na abertura de novos caminhos e Deus sempre se fez presente em todos os instantes que não pude estar do teu lado, como estes:









E assim, o meu bebê primavera, a minha adolescente que carregava água na peneira, agora ganha prêmio de jornalismo e se torna "Mestre".
O que mais eu poderia dizer?
Parabéns!!! Parbéns pelo prêmio, pela brilhante defesa da dissertação, pelo título de Mestre... enfim, pelo seu aniversário. Que a nova idade seja pórtico de paz e felicidade e que Deus continue te abençoando e nos presenteando com a tua existência.

Você faz aniversário... E partilha comigo suas conquistas:

http://www.unesp.br/nead/int_noticia_2imgs.php?artigo=5444

http://www.3m.com/intl/br/mkt/instituto3m/premio/finalistas.html

http://www.unesp.br/nead/int_noticia_2imgs.php?artigo=6052








domingo, 12 de setembro de 2010

O porquê deste blog.

Quando criei este blog objetivava apenas partilhar com os cursistas, tutores e formadores do Cecemca as vivências do curso de formação continuada "A terra em que vivemos". Não tinha a menor pretensão de me tornar uma blogueira por excelência, portanto, nunca tive a preocupação de atualizá-lo com frequência. Hoje tive a curisiodade de ver as estatística de acesso e me deparei com algo inusitado: este mês consta 52 acesso dos Estados Unidos e só hoje consta 12 acessos. Some a estes mais 187 brasileiros que acessaram este blog só este mês. Perplexa e envergonhada pelo descaso referente à atualização, registro aqui o meu sincero pedido de desculpas ao tempo que prometo (não é promessa de político em campanha) procurar um tempinho para disponibilizar com mais frequência algumas publicações, para tanto, necessito de sugestões, vou rever as moderações de comentários, para que vocês que acessam minha página possam deixar indicações de postagens.

Grata, muita grata!
Ana Maria Coutinho

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Os bons tempos chegaram, os melhores estão a caminho...


Pensei que a melhor parte da minha vida já tinha se ido com o tempo... Há quase dezesseis anos as lágrimas pontuam o meu entardecer. Os sorrisos são efêmeros, assim, além deste humor a banhar continuamente minha face, sigo colecionando pequenos momentos felizes para que os meus dias se tornem amenos.
As expectativas estão sempre voltadas à felicidade de meus filhos, afinal, eles são tudo que me restou do sonho de uma vida. E como bem diz Vilebaldo: Thiago e Theógenes são verdadeiramente, meu melhor poema, meu pedestal... filhos, trilhos onde corre o trem da vida.
Nos últimos dias experienciei duas inenarráveis alegrias: Márdila Fernanda (minha norinha) conclui o curso de Serviço Social, apesar de optar por não participar ativamente das festividades de formatura partilhei com ela e Thiago as alegrias que este acontecimento proporciona. E antes que esta euforia se aquietasse em nós, eis que surge uma nova alegria: Thiago prestou vestibular para o curso de Direito e foi aprovado.
Incialmente a força do impacto me impediu de esboçar qualquer reação. Passado este primeiro momento, as emoções afloraram e minha alma entrou em festa. Fui tomada por uma alegria indizível... Sinto-me em estado de graça. Sei que este é apenas o primeiro degrau, muitos precisam ser galgados.
Estou consciente de quão árduo é o caminho que conduz a vitória: a formatura, porém, tenho certeza que com a ajuda de Deus, meu filho chegará lá. No caminho da vida universitária ela sai, ele chega, matizando meu entardecer com novas cores e com um brilho incandescente. Ela sai Assistente Social, ele chega postulando a magistratura. 
Parabéns Márdila e Thiago!!! Que o sucesso seja uma constante em todos os dias dos mais felizes que certamente virão.